Fundo Abstrato Ondulado

Análise da flexibilização do uso de máscara

02/11/2021


Introdução

Com a média móvel de óbitos mais baixa desde abril de 2020¹ e o avanço da vacinação, o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre começa a ser pautado pelas gestões estaduais.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Assembleia Legislativa aprovou, no último dia 26, o projeto que desobriga o uso de máscara, em locais abertos, em todo o estado - embora caiba a cada município a decisão final. No Distrito Federal, a flexibilização também foi autorizada e passa a valer a partir de 03 de novembro.

Nesse contexto, nos propomos a investigar discussões recentes no Twitter envolvendo o termo “máscara”, para entender como os usuários da rede social estão se posicionando.

Este post está dividido em duas partes. Na primeira, descrevemos a coleta da base de dados analisada, algumas estatísticas gerais, e selecionamos três publicações de destaque favoráveis à flexibilização, e três desfavoráveis. Na segunda parte, examinamos em maior detalhe os usuários que compartilharam estas publicações, buscando responder à pergunta: é possível observar, nos dados, diferenças significativas no perfil dos usuários que compartilharam mensagens a favor e contra a flexibilização?



Parte I: Base de dados e panorama geral


Descrição dos dados

A base de dados analisada compreende publicações feitas no Twitter entre 22 e 29 de outubro. Foi realizada uma busca por termos relacionados à flexibilização das regras relacionadas ao uso de máscara para proteção contra o COVID-19, como “decreto & máscaras”, “flexibilização & máscaras”, “obrigatoriedade & máscaras”, entre diversos outros termos. No total, foram 3.139 publicações coletadas atendendo aos critérios descritos.


Unidade Federativa de origem das postagens

Para este primeiro gráfico, analisamos o local de origem dos usuários que falaram sobre o tema. Este campo de localização é livre e pode ser preenchido manualmente no Twitter. Com um algoritmo próprio da vox Radar, analisamos a localização dos usuários que optaram por divulgá-la e interpretamos a unidade federativa e a região correspondente. Considerando apenas as publicações para as quais foi possível obter o UF, o gráfico exibe a proporção do volume por unidade federativa.



A coleta dos dados coincidiu com o período em que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o fim da obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre, o que pode explicar a maior participação de usuários do estado na discussão.

O estado de São Paulo ocupa o segundo lugar, com 16,9%. Na semana passada, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, afirmou que, por enquanto, a cidade segue com o uso obrigatório da máscara como medida de combate à disseminação do coronavírus. O assunto pode ser pautado em 10 de novembro, quando a Secretaria de Saúde do município de São Paulo apresentar novo estudo sobre o uso de máscaras.

O Distrito Federal se destaca, com 11,8% das publicações, à frente de estados como Minas Gerais, que detém a segunda maior população entre os estados brasileiros². O volume das discussões no DF está relacionado ao anúncio do fim da obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre a partir de 3 de novembro, publicado no Diário Oficial do DF no último dia 26.

Outros estados que aparecem no gráfico de setores, de acordo com as últimas notícias divulgadas na mídia, avaliam a situação e os números da COVID-19, mas permanecem com o uso obrigatório da máscara ao ar livre.


Principais postagens


Neste momento, utilizamos uma métrica de repercussão de cada publicação para selecionar três postagens desfavoráveis e três favoráveis à flexibilização do uso de máscaras.


Postagens desfavoráveis a flexibilização

A principal publicação contrária ao fim da obrigatoriedade do uso da máscara em locais abertos partiu de Aline Midlej (143 mil seguidores), âncora do J10 na Globo News, e somou mais de 14 mil curtidas. Entre as três publicações selecionadas devido à maior repercussão, a mensagem da jornalista foi a única que não elencou a política como motivação principal para a desobrigação em pauta.






Postagens favoráveis à flexibilização


As três publicações com maior repercussão favoráveis à flexibilização do uso de máscaras mencionam política. A primeira, da Família Direita Brasil (209 mil seguidores), compara a reação da mídia às falas de Jair Bolsonaro às declarações de Eduardo Paes sobre o fim da obrigatoriedade da máscara.





Parte II: Analise de compartilhamentos


Nesta etapa, o foco será, especificamente, na repercussão das publicações de destaque que foram expostas acima.

Explicando: analisamos os compartilhamentos, ou retweets, dessas postagens, considerando que um retweet no Twitter é tipicamente positivo, já que é um compartilhamento que não permite comentários adicionais por parte do usuário. Desta forma, podemos interpretar que a maior parte dos usuários que retweetaram as publicações contrárias à flexibilização também têm opinião contrária. De maneira análoga, a maior parte daqueles que compartilham publicações favoráveis também defendem estas ideias.

A partir destas definições, nos aprofundamos no estudo do perfil dos usuários de cada um dos lados, buscando entender de que forma estes grupos se opõem.

Volumetria no tempo Este primeiro gráfico analisa a quantidade de retweets ao longo do tempo para cada publicação. Nesta visualização, os tons de azul identificam postagens favoráveis a flexibilização do uso de máscara, e os tons de vermelho identificam as postagens desfavoráveis.



Alcance potencial


Para interpretar este gráfico, é preciso ter em mente que o alcance potencial calculado representa o somatório de seguidores das contas que retuitaram as publicações. Em outras palavras, o gráfico do alcance potencial busca identificar qual das mensagens teve maior potencial de disseminação no Twitter.

Como é possível observar, a publicação do perfil Família Direita Brasil (481 retweets) teve um alcance potencial superior ao tweet da jornalista Aline Midlej (1.281 retweets). Isso se deve ao fato de que as contas que retuitaram a Família Direita Brasil possuem um somatório de seguidores superior ao das contas que retweetaram a jornalista.

Sendo assim, a principal mensagem entre os favoráveis à flexibilização do uso de máscaras, mesmo apresentando métricas menores de engajamento, pode ter atingido mais pessoas que a principal mensagem entre os desfavoráveis ao fim da obrigatoriedade do uso em locais abertos.




Análise de gênero


No gráfico abaixo, temos duas barras verticais empilhadas. Uma para a proporção do gênero daqueles que retweetaram postagens desfavoráveis à flexibilização, outra para as postagens favoráveis.

Entre os desfavoráveis, as mulheres representam a maioria, com aproximadamente 57% das publicações no período. Já entre os favoráveis, o sexo masculino predomina as mensagens, com 68% das postagens.




Análise de cluster político


Utilizamos novas barras verticais empilhadas. Agora, para entender o cluster político em que se inserem os usuários que compartilharam publicações favoráveis e desfavoráveis. A disposição das barras segue a mesma lógica, vide legenda no gráfico.

Este estudo se baseia em um algoritmo próprio da vox Radar, que busca identificar o cluster político de um usuário cujo perfil é público, de acordo com os conteúdos e contas com quem ele estabelece uma relação.

Desta forma, os resultados obtidos nesta análise permitem inferir que perfis relacionados à esquerda foram responsáveis por 42% dos compartilhamentos das publicações selecionadas desfavoráveis à flexibilização. A “direita não bolsonarista” também aparece entre os contrários ao fim da obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre, com 4%. Na coluna dos favoráveis à flexibilização, 68% pertencem ao cluster bolsonarista.

Há, ainda, a categoria “Não polarizado”, para usuários que transitam entre diferentes bolhas e não estão necessariamente ligados a um único cluster político. Este grupo de não polarizados é mais representativo no bloco de desfavoráveis à flexibilização. Cerca de 54% dos usuários que compartliharam as mensagens contra o fim da obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos não são polarizados, contra apenas 32% dos favoráveis.




Nuvens de palavras da bio de usuários


Desfavoráveis a flexibilização Buscamos os usuários que retweetaram algum dos três tweets desfavoráveis à flexibilização, expostos acima de acordo com a métrica de engajamento. A partir da biografia destes usuários (ou seja, o campo do Twitter em que o usuário faz uma breve descrição de seu perfil), criamos nuvens de palavras, visando entender quais termos mais aparecem entre usuários que estão compartilhando publicações deste teor.



Entre os desfavoráveis, vemos usuários que se declaram jornalistas e professores. Em menor frequência, aparecem advogados, artistas, designers e pesquisadores. Também é possível identificar um interesse por artes, através de termos relacionados a música, livros e seriados. O termo “esquerda”, que é o mais presente entre as bios, conversa com nossa análise de cluster político, que identificou 42% dos usuários que compartilharam posts desfavoráveis à flexibilização como pertencentes ao cluster político de esquerda.


Favoráveis a flexibilização

De maneira análoga, agora analisamos a biografia de usuários que retweetaram alguma das três publicações favoráveis à flexibilização. A nuvem de palavras exibe termos que aparecem com frequência na descrição destes perfis.




Em termos de profissões, usuários que se descrevem como advogados são os mais frequentes entre os favoráveis à flexibilização. Nesta nuvem, posicionamentos políticos e sociais estão mais explícitos, como: armamentista, cristão, católico, anticomunista, patriota etc.

Uma observação importante é que o presidente Jair Bolsonaro é o político mais presente nas biografias, seja para favoráveis ou desfavoráveis à flexibilização. Entre os desfavoráveis, vemos ainda o termo “forabolsonaro”.

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  1. https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2021/10/31/brasil-registra-mais-96-mortes-por-covid-media-movel-e-a-mais-baixa-desde-abril-de-2020.ghtml

  2. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9103-estimativas-de-populacao.html



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